Papa diz que religião não ameaça
17.09.2010Por: Leonardo Meira Da Redação
Bento XVI preside a Santa Missa em Glasgow (Escócia): 125 mil pessoas receberam o Pontífice na cidade
125 mil pessoas concentraram-se nas ruas de Glasgow (Escócia) para ver Bento XVI. Os dados da polícia local revelam que o número é cinco vezes maior que o registrado durante a visita de João Paulo II, nas mesmas circunstâncias, em 1982. Naquela ocasião, a maior concentração com o Papa polonês foi em Murrayifield, com a presença de 60 mil pessoas.
Na homilia, durante a Santa Missa que presidiu em Bellahouston Park, o Santo Padre destacou que a religião não é uma ameaça, mas garantia de convivência pacífica entre as pessoas:
“A evangelização da cultura é de particular importância em nosso tempo, quando a ‘ditadura do relativismo’ ameaça obscurecer a verdade imutável sobre a natureza do homem, sobre seu destino e seu fim último. Hoje em dia, alguns buscam excluir da esfera pública as crenças religiosas, relegá-las ao privado, objetando que são uma ameaça para a igualdade e a liberdade. No entanto, a religião é, na realidade, garantia de autêntica liberdade e respeito, que nos leva a ver cada pessoa como um irmão ou irmã”.
O Papa também disse que é preciso vozes claras que proponham o direito de todos viverem em uma sociedade que trabalhe pelo verdadeiro bem-estar dos cidadãos, “não em uma selva de liberdades autodestrutivas e arbitrárias. [...] Não tenhais medo de oferecer esse serviço a vossos irmãos e irmãs, e ao futuro de vossa amada nação”.
Aos jovens, Bento XVI destacou as tentações das drogas, dinheiro, sexo, pornografia, álcool, propostas pelo mundo como garantia de felicidade, “quando, na verdade, essas coisas são destrutivas e criam divisão. Somente uma coisa permanece: o amor pessoal de Jesus por cada um de vós”.
O Pontífice ainda rezou pelo discernimento vocacional da juventude: “Elevo minha súplica para que muitos de vós conheçais e ameis a Jesus e, através deste encontro, dediquei-vos totalmente a Deus, especialmente aqueles de vós que haveis sido chamados ao sacerdócio ou à vida religiosa. Esse é o desafio que o Senhor vos dirige hoje: a Igreja agora pertence a vós”.
O Bispo de Roma também ressaltou os frutos do convite lançado por João Paulo II em 1982, que geraram “maior confiança e amizade com os membros da Igreja da Escócia, a Igreja Episcopal Escocesa e outros. “Demos graças a Deus pela promessa que representa o entendimento e a cooperação ecumênica para um testemunho comum da verdade salvífica da Palavra de Deus, em meio às rápidas mudanças da sociedade atual”.
O Santo Padre encorajou a dedicação pastoral dos bispos escoceses, especialmente em relação aos sacerdotes confiados aos seus cuidados.
“Em vosso ministério fraterno com vossos sacerdotes, vivei em plenitude a caridade que brota de Cristo, colaborando com todos eles, particularmente aqueles que têm pouco contato com seus irmãos no sacerdócio. [...] Já que a Eucaristia faz a Igreja, o sacerdócio é algo central para a vida da Igreja. Ocupai-vos pessoalmente para formar a vossos sacerdotes como um corpo de homens que incentivem outros a se dedicarem totalmente ao serviço do Deus Todo-Poderoso”.
Já aos sacerdotes, lembrou-os que estão chamados à santidade e a configurarem a própria vida ao mistério da Cruz do Senhor:
“Pregai o evangelho com um coração puro e boa consciência. Dedicai-vos somente a Deus e sereis exemplo luminoso de santidade, de vida simples e alegre para os jovens. [...] Igualmente, encorajo a vós, monges, freiras e religiosos da Escócia, a serem uma luz colocada no alto de uma colina, levando uma autêntica vida cristã de oração e ação que seja testemunho luminoso do poder do Evangelho”.
Após a celebração, o Papa partiu do Aeroporto Internacional de Glasgow para Londres, onde chega às 21h25min (17h25min em Brasília). Então, transfere-se para a Nunciatura Apostólica em Wimbledon (London Borough of Merton), onde pernoita.






